2009 foi um ano muito produtivo, musicalmente falando. Apesar da maior parte do maisntream continuar o mesmo lixo sem criatividade de sempre, se você passar para um campo mais, ahn, "underground", vai conseguir encontrar excelentes trabalhos. Não escutei tudo que foi lançado durante o ano (acho que ninguém foi capaz dessa proeza, né?), logo, a lista é com base nos meros aproximadamente 150 discos que eu escutei, lançados em 2009. Tentarei ser breve nos comentários (alguns só pra encher linguiça mesmo), afinal, são muitos discos. Abaixo seguem o 30 discos que ao meu singelo ver, merecem destaque esse ano:
30. Japandroids - Post-Nothing:A começar pelo nome do disco (satirizando o excesso de gêneros post-algumacoisa), fica na cara que o Japandroids veio para satirizar, bagunçar um pouco as estruturas. Em meio a tanta modernidade e experimentalismo musical, eles fazem um som cru, direto, agressivo. O disco gravado em lo-fi consiste na dupla exagerando na barulheira, no rock de garagem noventista, na despreocupação proposital com produção, e por isso, é assim tão bom. As letras passam o mesmo espirito da sonoridade, eles cantam desengonçadamente sobre o quanto eles gostam de serem despreocupados e largados. "Oh, we don't care about dying/Oh, we just care about those sunshine girls".
29. The Twilight Sad - Forget The Night Ahead:Misturando elementos de post-punk (destacando a voz poderosa, grave -e com sotaque escocês dessa vez-), as guitarras distorcidas de shoegaze, e experimentalismos com krautrock (um gênero de rock progressivo, originalmente alemão), o Twilight Sad faz um segundo bom disco. Uma ótima linha de bateria, e riffs melódicos de guitarra tornam-se memoráveis, trazendo à tona a tristeza, sentimento que o disco busca passar. Um som denso, pesado, compátivel com a temática. Para completar, o primeiro single do disco é excelente (começando pelo nome), "I Became A Prostitute" deve ao menos ser escutada uma vez, não há como ignorar tamanha perfeição.
28. Depeche Mode - Sounds Of The Universe:Apesar dos discos um pouco fracos nesses últimos anos, o Depeche Mode ainda conseguia se manter de pé. Em Sounds Of The Universe, a banda se reergue, e com a mesma tensão dos discos anteriores, emplaca hits memoráveis. Músicas muito bem trabalhadas, com sintetizadores obscuros, e letras introspectivas. Faixas como "Wrong" ou "Fragile Tension" vão grudar em sua mente, e a voz sensual do vocalista Dave Gahan (que infelizmente teve câncer de garganta esse ano, acarretando em inúmeros shows cancelados) não vão deixar sair. De fato, ainda existem ótimos sons vindos desse universo.
27. Florence + The Machine - Lungs:Florence Welsh é uma garota sensível na voz, que é poderosa, porém delicada, quase como uma Kate Bush. O certo seria que ela fizesse músicas clichês e melosas, como de costume, não? Mas não é o que acontece. Ela soma a sua voz a belos arranjos de harpas e violinos, só que de fundo, tem teclados rápidos e baterias que mais lembram ao Arctic Monkeys. As letras são em parte sobre fantasias e sonhos, em parte, sobre agressividade e revolta sentimental, pricipalmente voltada aos relacionamentos. As músicas são divertidas, dançantes e bem produzidas, fazendo de Lungs um disco ótimo.
26. La Roux - ST:Que Lady Gaga, que nada. Esse ano, a música declaradamente pop deve ser creditada ao duo La Roux, liderado pela vocalista ruiva do topete gigante, Elly Jackson. Revitalizando os efeitos do synthpop oitentista, ela canta com sua poderosa voz (que é um tanto estranha incialmente) sobre os temas comum a música pop chiclete: relacionamentos, ex namorados cafajestes, "você não me merece" e etc. Qual o problema em se despregar uma vez da seriedade, e apenas dançar? Aprendam com a La Roux como se faz música pop sem ser clichê (ao menos na sonoridade), Madonnabees da vida.
25. Mos Def - The Ecstatic:Sim, o hip hop ainda tem suas sacadas geniais, mesmo em meio a tanto marasmo e mediocridade. O Mos Def é um dos mais bem vistos rappers undergrounds, e esse ano, comprova que tem qualidade. Misturando ritimos de hip hop oldschool, guitarras desgovernadas, e até ritimos latinos (isso inclui uma música cantada em espanhol), ele faz de The Ecstatic um disco notável em um gênero um tanto destruido. Suas rimas vão se moldando ao longo do disco, e algumas vezes com ajuda de pequenos efeitos e de vocais convidados, tornam-se mais notáveis que o comum. Um disco de hip hop que vale a pena ser escutado, sem medo, inclusive por aqueles que tem maus olhos pro gênero.
24. Morrissey - Years Of Refusal:O Mozz prova que mesmo com 50 anos, ainda faz música tão boa quanto fazia no Smiths. Arranjos contagiantes e diretos, o vocal suplicante e melódico, que cabem perfeitamente nas letras que só o Mozz sabe fazer, são inúmeras sacadas geniais vindas de palavras simples, para contar como ele sente que o mundo não tem mais amor, a falta de sentimentos, a apatia, a vida em geral (existe coisa mais Morrisseyana que isso?). O ano não foi fácil pra o nosso tio predileto (internação após desmaio em palco, confusão em um show devido a um fã sem noção, dentre outros triste acontecimentos), mas ele ainda está de pé, e nos mostra o que sabe fazer de melhor. Algumas vezes assusta ver que os anos passam, e certas pessoas ficam tão ou mais geniais quanto nos seus anos de ouro.
23. Arctic Monkeys - Humbug:Bandas que tornam-se grandes, e começam como bagunças adolescentes, quando duradouras, em algum momento, crescem. O Arctic Monkeys evoluiu no terceiro disco, ropendo com aquela simplicidade jovem (que era boa, só deixando claro) através da ajuda do produtor, Josh Homme (vocal do QOTSA). Estão mais calmos, mais introspectivos, apesar de ainda terem a mesma indentidade de sempre. A bateria ainda contagia, mas as guitarras estão em um ritimo mais, irônicamente... stoner. Desapontador para alguns, o crescimento dos meninos ingleses foi necessário. Talvez eles voltem da próxima vez agitados novamente... talvez voltem mais adultos, só temos que esperar pra ver. Mas que o disco é bom, isso é. E só lembrando, as letras continuam a não fazer o menor sentido.
22. Kasabian - The West Ryder Pauper Lunatic Asylum:Caindo como uma bomba do céu, o Kasabian apareceu com um excelente disco (de nome estranho), quando ninguém esperava que fosse sair alguma coisa boa da banda, que teve um segundo disco um tanto fraquinho. Mas o West Ryder é promissor, pegando elementos da música britânica, passando pelo eletrônico ("Vlad The Impaler"), pelo rock alternativo ("Underdog"), e até por uma pegada country ("Fire"), o disco se mistura entre momentos rápidos e momentos mais introspectivos. As letras vão de questionamentos sobre o amor, até ataques de desafio ao imaginário "Kill me if you dare/Hold my head up everywhere". O Kasabian comprava que o melhor de um disco, é quando ninguém espera nada dele.
21. Miike Snow - ST:No turbilhão de hypes, o Miike Snow compareceu pouco, tendo alguns hits que se tornaram um pouco divulgados na internet, como "Animal". De fato, eles merecem muito mais do que lhes foi dado; o trio sueco faz música eletrônica misturando ótimos elementos da música pop, em alguns momentos, chega a parecer que o disco foi produzido pelo Timbaland, e por incrível que pareça, isso não é ruim. São pianos, teclados, samples, sintetizadores e baterias eletrônicas trabalhando em conjunto com a voz um tanto esganiçada do responsável pelo vocal. Um disco bom para festas, que consegue agradar muito também em audições solitárias. Vale a pena dar uma procurada.
20. Silversun Pickups - Swoon:Fazendo um som que lembra um pouco ao grunge dos anos 90, o Silversun Pickups faz do segundo álbum um disco que vale muito a pena ser conferido. A linha de bateria poderosa, com as guitarras que tem um que de garage rock, são muito bem aglomeradas com o vocal que de tão sensível, algumas vezes demora a ser notado como uma voz masculina. Em meio a energia, são usados alguns artefatos de calmaria, como toques de violino, ou teclados. As letras variam nos temas, mas em geral, falam de sentimentos diversos ou de desespero, como se fosse uma prisão interior, ou o mundo estivesse despencando em sua cabeça (Nirvana feelings?). As melodias são muito contagiantes, e vão se repetir inúmeras vezes em sua cabeça. Um disco gostoso de se ouvir, por ser barulhento na medida certa.
19. The Horrors - Primary Colours:Com um visual sombrio e roupas coladas, o The Horrors fez sucesso em 2007 com o disco de estréia, um garage horro punk, que usava samplers tirados de filmes de terror. A temática continua um tanto parecida (dessa vez, um pouco mais sentimental), mas o garage punk foi trocado pelo post-punk. O disco é construido por guitarras cortadas e teclados oitentistas, de uma maneita tal, que quem não conhece, acha que o disco realmente é de tal época. Pra completar, eles dão umas pontadinhas de shoegaze no disco, e casualmente distorcem os riffs deixando-os um tanto esurdecedores. O vocal extremamente grave é um show à parte. Não tão assustadores dessa vez, porém provando que fazem boa música.
18. Fever Ray - ST:Fever Ray é o projeto solo da metade feminina do duo sueco de música eletrônica, The Knife. Seguindo um pouco a linha do último disco do duo, o debut de mesmo nome do projeto se saiu muito bem esse ano. Fever Ray eleva a música eletrônica a um estado obscuro jamais visto, são batidas tribais e minimas misturadas aos temas sombrios e introspectivos, sem falar no vocal um tanto incomum da moça. Pode ser um disco que demore a descer, devido à sua densidade, mas é realmente fantástico e deve ser dado uma chance. Você só não pode se assustar com o visual um tanto macabro da cantora, e nem com seus clipes que são bizarramente bem feitos.
17. The Maccabees - Wall Of Arms:O primeiro disco do Maccabees é bom, mas ainda assim, tem umas arestas sobrando, algo que não consegue fechar o disco em um círculo perfeito. No Wall Of Arms, são aparadas as arestas. Inspirados por post-punk, os garotos ingleses criam de forma original, riffs e melodias grudentos, que combinam perfeitamente com os temas das letras, que é claro, falam de sentimentos, relacionamentos, e tudo o que os britânicos sabem falar sobre. Lembrando que, boa parte da beleza está no vocalista, que faz coisas incríveis com a voz (coisas um tanto incomuns para um vocal masculino). O rock alternativo britânico ainda é capaz de nos surpreender.
16. A Place To Bury Strangers - Exploding Head:Eles são conhecidos como o trio mais barulhento de Nova York, e fizeram jus com o primeiro disco. No segundo, Exploding Head, eles ultrapassaram o limite do som, e conseguiram ser mais caóticos do que nunca. Shoegaze, post-punk, noise rock, tá tudo aí misturado: são guitarras barulhentas e uma bateria eletrônica nervosa, causando uma barulheira imensa, que algumas vezes chega a tornar imperceptível o vocal que já é contido. Um disco que muitos podem não gostar, devido ao nível de destruição de tímpanos, mas que quando dado uma chance, pode se tornar uma paixão. Existe uma beleza no meio da tristeza, da bagunça, do barulho e do caos, e o Exploding Head está aí para mostrá-la.
Quem ficou um pouco ligado em música esse ano, notou que os donos do hype foram o The XX. Com um debut incrível, o quarteto de jovens ingleses conquistou o mundo com uma sonoridade incomum. São pequenos toques de guitarra, pequenos toques de baixo, pequenos samples, e a voz pequena da vocalista Romy com a voz um pouco mais firme do vocalista/guitarrista/baixsta/produtor/whatever Oliver: em resumo, um disco que podemos chamar de "ambient rock". A beleza e a leveza do disco são claras, não dá pra simplesmente não gamar nos vocais macios e nas letras simples, porém bem trabalhadas. Apesar de todo o excesso de hype (desnecessário, cá pra nós), o XX prova que é muito mais que apenas uma fama breve. Prova de que as vezes bons discos chegam no famigerado hype.
14. Röyksopp - Junior:O duo sueco do Röyksopp já é conhecido pela qualidade dos arranjos em música eletrônica ambiental. Só que em 2009, o destino de Junior foi outro, ao invés de tanta introspecção, o duo utilizou das técnicas antigas para criar um disco de música eletrônica dançante, agitado, feito pras pistas. E foi ótimo o resultado! As batidas contagiantes tomam conta, e o ritimo pop se deixa levar pelos vocais femininos convidados pelo duo, todas as convidadas são cantoras suecas. Passando da voz meiga da Lykki Li, a voz estranha da Karin Dreijer (a metade mulher do The Knife); o grande destaque fica com a Robyn, cantando sobre como ela se sente abandonada pelo namorado, em "The Girl And The Robot". Nada mais poderoso que um disco de dance que é cuidadosamente feito, festas podem ter qualidade também.
13. Sonic Youth - The Eternal:Não é preciso dizer muita coisa quando se trata de um disco do Sonic Youth, né? The Eternal se resume a ser único, como cada disco que o Sonic faz. São inúmeras variações de experimentações com guitarras, longas distorções, e barulhos que fazem você ter vontade de por a caixa de som no último volume. Dentre todo o noise rock, estão as vozes de Moore e Kim Gordom, fazendo a festa entre um riff ecoante e outro. As letras são o de sempre: juventude (mesmo que os membros da banda já estejam um tanto, hm, velhos), quão bom é ter uma banda de rock, sexo, e etc. Certas coisas nunca mudam, e são bem melhores assim.
12. Dirty Projectors - Bitte Orca:É incrível o quão bem feito este disco é; a primeira vista apenas mais um disco bonitinho, mas quando bem escutado, torna-se perceptível a qualidade. Guitarras experimentais que variam de ritimo freneticamente, ritimo folk, e algumas faixas que lembram a sons de outras regiões do planeta, como aquele "quê" de Oriente Médio (ou é América Andina?) no single mais bem sucedido do disco, "Stillness In The Move". São inúmeras as percepções que podem ser extraidas do disco, mas o que mais chama atenção, são as variações entre o vocalista e as três vocalistas (sim, três mulheres). Se comparam o detalhe final com uma cereja no bolo; o do Dirty Projectors está coberto de cerejas.
11. The Big Pink - A Brief History Of Love:O Big Pink foi uma boa surpresa de 2009, incialmente uma dupla, hoje uma banda com quatro integrantes, os ingleses fizeram um ótimo debut. Misturando post-punk, shoegaze e sintetizadores, eles fazem o melhor que os britânicos sabem fazer: falar de desilusão amorosa. Só que de forma não tão sutil, o Big Pink quebra com toda a ilusão de amor, afirmando que é apenas um sentimento tolo, destruidor, e breve. Hits como "Dominos" e "Velvet" emplacaram instantaneamente, apesar de barulhentos, tem uma grande pegada pop na sonoridade. Agora nos resta saber se a história do Big Pink é duradoura, ou se será breve, assim como a história de amor por eles contada.
10. Wild Beasts - Two Dancers:Existe o mito de que as bandas passam por uma maldição no segundo disco: ou inovam e se dão mal, ou repetem a fórmula do anterior. Verdade ou não, o fenômeno passou por longe do Wild Beasts. Os britânicos fizeram um disco literalmente épico: elementos barrocos, guitarras minimal, teclados simplistas... tudo trabalhando em conjunto para criar uma experiência única. Porém nada disso funcionaria se não fossem os dois vocalistas que variam entre uma voz forte, e um falseto incrivelmente sensível. É o tipo de música que você precisa ouvir e sentir pra entender, não existem explicações suficientes. Apesar de toda beleza, infelizmente, foi um disco subestimado e um pouco esquecido durante o ano no meio do mar de hypes.
09. The Flaming Lips - Embryonic:O Flaming Lips claramente é uma das bandas mais geniais que já passaram pela terra, ninguém mais faz letras sobre garotas japonesas que derrotam robôs invasores ou encontrar a si mesmo do futuro. O reino dos sonhos coloridos construidos ao logo dos últimos anos, é destruido no Embryonic. Ainda estamos rodeados de psicodelia e temáticas loucas (como observar os planetas), mas não é mais um sonho colorido, o Flaming Lips dessa vez desvenda o lado sombrio da banda, antes desconhecido. Vozes introspectivas, gemidos (cedidos pela Karen O, do Yeah Yeah Yeahs), pratos gigantes, guitarras barulhentas, bateira eletrônica frenética... um conjunto de elementos fazendo um disco ácido, e por isso, um pouco barulhento demais pra ser compreendido por algumas pessoas. De fato, em alguns momentos os sonhos acabam, e vem os pesadelos; há um lado obscuro em tudo.
08. Girls - Album:Dois garotos fazem seu disco de estréia, inspirados por surf rock (claramente lembrando o Beach Boys), folk, música lo-fi e rock alternativo, eles cantam sobre as mazelas da vida, sobre o quão triste estão, e sobre o quão despedaçadas estão suas esperanças. No meio de todo bonde da depressão, uma ou outra luz, falando de amor. Um disco inesperado e fantástico, música de infinita qualidade, para corações partidos e vidas bagunçadas. Um imenso destaque para "Lust For Life", em que eles gritam pro mundo que estão numa bagunça "Yeah I'm just crazy, and fucked in the head"; e para "Hellhole Ratrace" que torna-se um hino para os depressivos em busca de amor "I got a sad song in my sweet heart/And all I really am, is just needing some love and attention". O que fica claro, é que no fim, todo coração quebrado quer ser colado.
07. Franz Ferdinand - Tonight: Franz Ferdinand:Depois de passar por um segundo disco excelente, porém não muito inovador, o Franz retorna no terceiro provando que eles não estão aqui para fazer feio. A banda continua sendo a mesma de sempre, baladinhas de art-rock para dançar, com letras inteligentes e cheias de jogos de palavras. Mas não é só isso. Dessa vez, eles investiram em sintetizadores e um clima um pouco mais denso nas músicas, como descrito pelo próprio Alex Krapanos, Tonight é um disco pra quem gosta de sair à noite e dançar. E é exatamente isso. Enquanto as letras sobre garotas, noites fora de casa, festas e sexo são cantadas, uma pequena festinha vai se formando em sua cabeça. Melhor ainda se você estiver em uma festa de verdade.
06. Phoenix - Wolfgang Amadeus Pheonix:O quinteto francês literalmente dominou boa parte de 2009. Misturando boa música pop, com rock alternativo e música eletronica, de maneira sutil, eles fizeram do disco que parodia o nome de Mozart, o disco mais divertido do ano. É impossível ficar parado em meio as baladinhas contagiantes, "1901" com seus efeitinhos singelos é quase tão grudenta quanto a refrão-grude "Lizstomania" (que por acaso, ganhou uma legião de remixes). No meio da diversão a qualidade está presente, e eles fazem questão de deixar isso bem claro com uma faixa instrumental ótima, "Love Is Like A Sunset". Todos deveriam aprender como ser pop sem ser ridículo com o Phoenix.
05. White Lies - To Lose My Life...:O trio inglês fez um disco de estréia totalmente previsível, considerando que são britânicos. A formúla é a mais velha do mundo: fazer tudo que o Joy Division já fez. Guitarras cortadas, linhas de bateria um tanto aceleradas, teclados oitentistas e a voz sombria e densa que mais faz o vocalista parecer uma reencarnação do Ian Curtis. Mas o que um disco tão pré-datado faz aqui? É simples: algumas vezes a beleza fala mais alto do que a originalidade. Quando você sentir o que o disco passa, todo o ar sombrio, a desilusão pela vida, e o apego ao sofrimento e o desespero; mostrados de maneira poética, claro; você vai simplesmente ignorar o fato de que a estética é basicamente uma cópia. Dizem que "se for copiar, copie bem copiado", e essa lição, o White Lies aprendeu.
04. The Pains Of Being Pure At Heart - ST:O disco de estréia da banda, é totalmente relativo ao nome da mesma. Em meio a baterias agitadas e distorções constantes de guitarra -uma chama bem acesa do My Bloody Valentine-, esses pequenos jovens cantam sobre as ilusões amorosas, de uma maneira magistral, e letras tão belas quanto as de um Morrissey (não atoa -apesar que eu discorde- a banda foi comparada ao Smiths). São diretos em falar de amor como se fossem adultos experientes, e ao mesmo tempo, manterem um espírito jovem. Estamos todos esperando iludidamente como um "teenager in love with christ and heroin", por alguém para quem cantar "Everything With You".
03. Grizzly Bear - Veckatimest:O segundo disco da fantástica banda de Nova York, Plans, já considerado uma obra belíssima, não era o limite. Esse ano, os Ursos nos surpreendem com uma explosão de emoções: o Veckatimest. Simples a primeira vista, porém complexo demais quando bem observado, o disco mistura pequenos teclados e efeitinhos (que lembram um pouco ao rock progressivo), com violões singelos, e a voz calma do vocalista Ed Droste; algumas vezes, elementos mais pop são acrescentados, fazendo nascer "Two Weeks", por exemplo. As letras falam de relacionamentos, de amor, do aleatório, e todas de uma maneira unicamente bela. Veckatimest é como um sonho, tudo o que você tem que fazer é deitar, fechar os olhos, e deixar a melodia invadir sua mente. No fim, você flutua como um balão.
A bela Natasha Khan, paquistanesa naturalizada inglesa, fez do seu segundo disco uma bela obra. Em meio a batidas tribais, experimentalismos com teclados, violinos e pequenas batidas eletrônicas introspectivas, ela entona sua voz sensível e poderosa, causando um forte contraste de sensações. Suas músicas sobre magia e mundos fantasiosos, sempre vistos pelo olhar de seu alter-ego, a Pearl, se adequam perfeitamente a sonoridade exótica. Depois de muito tempo, finalmente conseguimos encontrar uma mulher critiva o suficiente pra ser chamada de "filha da Björk". Não por acaso, é uma das inspirações dela.
01. Animal Collective - Merriweather Post Pavillion:A Coletiva de Animais conseguiu nesse ano alcançar o topo da perfeição desde de a existência da banda. Com discos extremamente experimentais na carreira, alguns até díficeis demais de digerir, a banda havia alcançado um bom status em meio a critica. No MPP, o grupo passou a investir em uma sonoridade mais pop e acessível, sem largar, é claro, os elementos de sempre: psicodelia, folk, experimentalismo, apetrechos eletrônicos, barulinhos de fundo, introspecção, e qualquer tipo de viagem que você conseguir imaginar. O resultado logicamente, deu certo. Mesmo tendo um som estranho ao primeiro olhar, o disco conseguiu se tornar popular, tendo faixas como "My Girls" sendo tocadas à exaustão nos quatro cantos do mundo. A sonoridade varia, entre barulhos agressivos (Summertime Clothes), baterias que mais lembram escolas de samba (Brother Sport), e momentos magicamente calmos (No More Running, Bluish); a temática do disco é totalmente voltada à um neo-hippismo: desapego material, amor livre, dentre outros assuntos. O disco chega à extrema perfeição, não havendo um erro sequer na produção, e atigindo o alvo principal: a criação do que em inglês chamam de "soundscape", ou seja, um escape da realidade através de música, como se ela te transportasse para algum local distante, um mundinho particular. Irônicamente, se você se deixar levar pelo som, os efeitos podem ser exatamente os efeitos que a gente imagina que o uso de alguma droga lisérgica pode causar (dor de cabeça incluso, nas primeiras audições). Graças ao Merriweather, o Animal Collective alcança um novo estado como banda, a ponto de conseguir irritar algumas pessoas; desde a popularização do disco, a banda é condenada por parte de alguns por ser apenas mais uma modinha hipster, uma grande piada de mal gosto, para pessoas que acham que entendem alguma coisa de música pelo simples fato de escutarem uma banda "experimental". De fato, os famigerados "fãs escrotos" nasceram na banda, e o hype puxado por algumas mídias (Pitchfork, hmm), não favoreceu. Fazendo uma comparação um tanto incomum, esse disco lembra um pouco ao que houve com o Radiohead após o OK Computer, como se fosse um momento de quebra devido ao alcançe da perfeição sonora; surgem o hype, os odiadores, os fãs escrotos, o status na crítica, dentre vários outros fenômenos. Se isso é o que define uma banda grandiosa, o Animal Collective já se tornou uma então. E agora? Bem, alguns preveem o futuro desse disco como uma repetição do futuro do OK Computer, a obra-prima do Radiohead foi um dos mais importantes álbuns dos anos 90, surgido na segunda metade da década, e influênciando totalmente a próxima (os anos 00s); logo, o MPP nessa visão, é tido como o disco que vai influênciar a década que está por vir; e seja isso bom ou ruim, faz um tremendo sentido. O que eu posso dizer? Por enquanto, não me arrisco a afirmar nada, recomendo apenas que você pare pra escutar esse disco inteiro pelo menos uma vez na vida, e deixe-se levar pelo som, os lugares onde você vai chegar são inimagináveis e incertos; e não há problema algum nisso.
Gostou da lista? Comente sua opnião! E que venha 2101! Esperamos que seja mais produtivo do que 2009 (que foi MUITO), promessas já tempos muitas. Agora é só esperar.
Gostou da lista? Comente sua opnião! E que venha 2101! Esperamos que seja mais produtivo do que 2009 (que foi MUITO), promessas já tempos muitas. Agora é só esperar.





















